Não sei o que queres dizer com glória, disse Alice.
Humpty-Dumpty sorriu, com desprezo. Claro que não, até que eu te diga. Quero dizer "aí tens um belo argumento que te arruma!"
Mas "glória" não significa um belo argumento que te arruma
, objectou Alice.
Quando eu uso uma palavra, disse Humpty-Dumpty, em tom de escárnio, ela significa o que eu decidir que significa, nem mais nem menos.
O problema é, disse Alice, se se pode obrigar as palavras a significar tantas coisas diferentes.
O problema é, disse Humpty-Dumpty, quem manda. Apenas isso.

Lewis Carroll, Alice no país das maravilhas




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(eventualmente)
literárias



GNM


Nasci muito perto do fim dos anos 70. O meu nascimento aconteceu às primeiras horas de um dia gelado de Dezembro, e, desde aí, jamais consegui libertar-me do frio que se fazia sentir naquele dia. A normalidade foi algo que durante toda a vida inconscientemente ansiei, mas sempre recusei. Em criança ela espreitava-me durante a noite, olhando-me do lado de fora da janela. E eu, fingindo não a ver, fechava as cortinas...

Entre as minhas paredes...

⊆ sexta-feira, agosto 11, 2006 por GNM | . | ˜ 37 comentários »

Entre as minhas paredes de gelo e a tua voz melíflua,
tranquei as portas com as mãos roxas, cadavéricas,
deixando cada parte de mim numa escuridão bafienta.

Tranquei-me não por ti, não por mim, não por ninguém.
Tranquei-me porque me tranquei.
Apenas me tranquei.

Amo a escuridão e o silêncio, na ausência dos teus lábios,
na ausência do teu fogo, que é minha juventude.

Somos amantes que só sobrevivem porque se desafiam constantemente,
como rivais eternos que se fitam nos extremos da grande mesa rectangular.
No fim, perderemos os dois.

E se em mim a dor se transformasse em pedra…
Ficaria para sempre imóvel!
Eternamente preso a este instante obsessivo.
Refém não da dor, mas de mim mesmo:

Já nenhuma dor me possui. Eu sou própria dor.

A sede de infinito não é uma estrela, mas um buraco negro,
onde mergulhei e me perdi para sempre…
na ânsia do veludo da plenitude.

E as portas… as portas estão bem como estão:
Trancadas! Escondendo ruínas e sangue.

Nunca mais soube das chaves.


37 respostas a Entre as minhas paredes...

  1. Paula Raposo Says:
    Gostava de não me repetir...este poema está fortíssimo, lindo, nem sei que palavras empregar! As chaves encontrá-las-ás...Beijinhos.
  2. Andrye Says:
    Que saudades.. deixo um beijo e um sorriso daqueles q tenho saudades q me deixes.. beijo**
  3. Luis Enrique Says:
    Realmente é um poema com muita textura, forte, sentido, como todos os teus. Obrigada poeta pela tua visita ao meu humilde blog, parabéns pelo teu livro, quem me dera pode-lo conseguir aquí na Venezuela. Um abraço
  4. jorgeferrorosa Says:
    ????? tXImmmmmm pumhmmm cai! Parti-me todo... espera! Onde vim parar? Falta alguma coisa? não estou a ver muito bem... aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii - então e os outros posts tão lindos?! Vou chorar!!!!! Pensei que só a mim é que me dava uma travadinha! Afinal só apagaste alguns. Por norma eu apago tudo! Era tão lindo o que tinhas escrito, Gonçalo!!!! Bem, tu é que sabes. Este teu trabalho está lindo... mas faltam os outros. Abraços
  5. Joaninha Says:
    Gonçalo!
    Gonçalo!
    Gonçalo!!!
    Não acredito!
    Não quero acreditar... onde estão os outros escritos?
    NÃO
    Dois é demais!!!
    Penso em ti!
    e como este novo poema é mais uma vez a bruma da serra na minha alma...!!!
    UM BEIJINHO
  6. Eli Says:
    Ora cá estou eu... e o filme que não viste comigo ficou por ver...

    :)

    E a inspiração continua ao rubro!

    ;)
  7. Natalie Afonseca Says:
    Olá!
    Passei para te ler e para te deixae um beijinho!! :)
    Tudo de bom!
    Beijinhos
  8. A. Says:
    Gonçalo?




    :(
  9. jorgeferrorosa Says:
    Que surpresa! Uhauuuuuuuu ... novo visual! Muito bem, por vezes é necessário mudar, proceder a novos arranjos. Está mais suave, mas o outro template não estava mal. Um abraço
  10. alerta Says:
    Gonçalo!
    Tão cinzento como a minha alma... entristecido como o meu sonho... mas não queria que mais estivesse assim sobre a Terra... nem guerras,
    nem ódios, nem esperanças vãs... Apenas Amor no coração dos Homens!
    Tudo de bom para ti e aqui vai um dos sorrisos que me deixaste em tempos... (beijito from isabel)
  11. Anjinha Says:
    owa :o)
    está lindo lindo :o)
    Beijinho e bom fim de semana :o)

    (p.s: vou te linkar)
  12. Paula Raposo Says:
    Mudança de visual????!!! Ena!!! Não me parece que goste mais deste. Vou pensar. Beijos.
  13. Paula Raposo Says:
    E porque é que tiraste os títulos?!! Beijinhos.
  14. Eli Says:
    Eu pensava que havia um endereço novo...

    Enfim.

    Está bonito, mas não deixo de ter saudades do outro.

    São diferentes, mas cada um bonito à sua maneira!

    :)
  15. OrCa Says:
    Pois é... eu passo a vida a procurá-las, às chaves. Quando as encontrar, tenho a certeza de que não saberei o que fazer com elas. Ainda assim, as procuro...

    (Anda alguma dor por este poema. Ela talvez se altere. O poema, entretanto, estratifica-a. Mas "o poeta é um fingidor"...)


    Um grande abraço.
  16. miosotis Says:
    Há mt q poisava aqui meu olhar em busca de teus fragmentos poéticos feitos de palavras soltas d'alma.

    O silêncio era profundo...

    Agora [re]apareces com este poema tão negro?!
    Ou será só 'inquietãção de poeta'?
    De qq modo, poeta sofre... mm q se afirme 'fingidor'.

    Mt sensibilizada pelas tuas palavras.

    bjs

    p-s O visual está mais 'legível' e 'discreto'. Diferente!
    Parabéns!

    O tema é sp lindo...
  17. .*.Magia.*. Says:
    Olá...
    Emocionei-me ao ler-te...
    As palavras encaixam-se nos sentires...e esta música é linda...

    Deixo-te um beijo mágico!
  18. Alexandra Says:
    Continuas cheio de força e inspiração Gonçalo. Fico muito contente por te saber tão bem. O teu poema, este que li, é simplesmente FORTE e LINDO!!!

    Já vejo aqui outro livro...tenho que ir às minhas pesquisas de novo ;)

    Obrigado pela tua presença no meu espaço. A musica, essa é a minha fonte de inspiração e calma!

    Beijos

    PS: Os teus poemas já andam, pelo menos no que me concerne, a ser divulgados via e-mail ;)
  19. Rosario Andrade Says:
    Bom dia GNM!
    ...bem me parecia que nao ficarias prenhe de silencios por muito mais tempo! Benvindas, sempre, as tuas palavras. Ainda que a ti te doam... pelo menos das tuas dores, em vez de silencios agrestes, ficam estes adoráveis ramalhetes de palavras.
    Bjico
  20. Miss X Says:
    Got your book! :)
  21. © Piedade Araújo Sol Says:
    Poema fortissimo de emoçoes...
  22. © Piedade Araújo Sol Says:
    Poema fortissimo de emoçoes...
  23. dreams Says:
    - comment défendez-vous contre la solitude?
    - monsieur, je suis la solitude même...

    um beijo doce *
    “·.¸Dreams¸.·”

    p.s. apesar de ser em francês acho que dá para entenderes :)
  24. aflores Says:
    As portas para ter acesso à tua escrita, sei que estarão sempre abertas e ainda bem. Parabéns pelo novo visual. Gosto muito. Grande abraço do Norte
  25. ≈♥ Nadir ♥≈ Says:
    Tranquei as portas, para não mais as abrir...
    Esqueci onde coloquei as chaves, mas não consigo me esquecer de ti...

    Beijos e bom feriado
  26. Claudia Perotti Says:
    Teus poemas sempre são densos! Adoro-os.

    Gostei do novo template! Lindo!

    Beijinhosssssss
  27. Rita Says:
    Olá:)
    É bom vir aqui passado tanto tempo e ver que continuas, e que a tua poesia deu frutos..quer dizer, folhas;).
    (O meu antigo blog era o Transcendencia, agora mudei para um sítio mais verde). Beijinhos!
  28. zahaara Says:
    Bem, chego aqui e deparo-me com o novo visual..gosto muito!!E claro mais um belo poema, e o que tem de belo tem de triste...

    Um beijinho e um sorriso p ti , )

    Espero q fiques bem

    zahaara
  29. Rita Says:
    Muito triste... não gostei.
    Beijocas
  30. Anónimo Says:
    Lindo e a música tão bem escolhida...profundamente envolvente. Adorei.
    Olha miudo...parece-me q tens as mulheres "todas" caidinhas aos teus pés...:))
    (É claro q estou a brincar)
    Um beijo
    Sofia
  31. Alex Says:
    Que poema, e que força.
    São precisas chaves?
    Há sitios onde nem com chaves se entra, ou sai, ou se tranca.
    É o mal de termos mundos muito nossos.

    Um beijo Gonçalo,
    passa um bom fim de semana.
  32. elsefire Says:
    este poema transportou-me aos tempos em que vivia amargurado, isolado,fechado em mim mesmo, torturado pelos dentes caninos de uma noite longiqua e frustrado por pensar que não conseguiria realizar os meus sonhos, embora a luz dos mesmos continuasse ténuamente acesa dentro de mim. Mas a melhor notícia é que consegui sair de lá desse buraco negro há cerca de um ano e meio e não é fácil é preciso lutar e acreditar. É como se fossemos mesmo ex-presidiários à procura de emprego e todos sabemos como é dificil a um ex-presidiário voltar a integrar-se depois da clausura. Mas é possível e eu consegui, com uma fé em Deus, que não tinha antes de começar a recuperação à ano e meio, mas que ganhei, porque sei que foi Ele que me arrancou desse buraco fundo. hoje (per)sigo os meus sonhos com calma e paciência e rio mesmo quando o mundo me cai em cima, mesmo quando o maior problema me surge. Desde então tenho tentado que outros irmãos como eu, saiam para lutar. É preciso encontrar as chaves e não desistir. é dificil sim senhor, a mim levou cerca de 1 ano, com ajuda de um clinico, mas é possível entrar no caminho certo. Esse é o caminho errado.
    qualquer pergunta é utilizar o meu mail à vontade, para conversar pelo menos.
  33. A. Says:
    Gonçalo Nuno...como estás?
    Conta-me coisas...todas as coisas.


    Feliz meu amigo?
    Quero muito saber que sim.

    Até já.
  34. Silvia Says:
    Destranca as portas. E vai viver...
  35. Anarquistaduval Says:
    Buraco negro sentimental de assimptota vertical no constragemento da ruina. Gostei.
  36. Anónimo Says:
    Wonderful and informative web site. I used information from that site its great. »
  37. Susie Says:
    é possivel viver assim? sobreviver apenas?..resistir aos dias...

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