Não sei o que queres dizer com glória, disse Alice.
Humpty-Dumpty sorriu, com desprezo. Claro que não, até que eu te diga. Quero dizer "aí tens um belo argumento que te arruma!"
Mas "glória" não significa um belo argumento que te arruma
, objectou Alice.
Quando eu uso uma palavra, disse Humpty-Dumpty, em tom de escárnio, ela significa o que eu decidir que significa, nem mais nem menos.
O problema é, disse Alice, se se pode obrigar as palavras a significar tantas coisas diferentes.
O problema é, disse Humpty-Dumpty, quem manda. Apenas isso.

Lewis Carroll, Alice no país das maravilhas




rascunhos
de
abordagens
(eventualmente)
literárias



GNM


Nasci muito perto do fim dos anos 70. O meu nascimento aconteceu às primeiras horas de um dia gelado de Dezembro, e, desde aí, jamais consegui libertar-me do frio que se fazia sentir naquele dia. A normalidade foi algo que durante toda a vida inconscientemente ansiei, mas sempre recusei. Em criança ela espreitava-me durante a noite, olhando-me do lado de fora da janela. E eu, fingindo não a ver, fechava as cortinas...

Lançamento...

⊆ sábado, junho 17, 2006 por GNM | . | ˜ 67 comentários »

Foi ontem a sessão de lançamento do livro “NADA em 53 vezes”.
Agradeço a todos os que, com a sua presença, fizeram com que esta noite fosse tão especial, tornando-a inesquecível para mim!

Para quem não pôde estar presente, seguem duas fotografias da noite de ontem -tiradas pelo meu amigo fotógrafo, Ognid -, assim como a fotografia da contracapa deste livro.

A todos, muito obrigado!


Da esquerda para a direita: o meu amigo Emanuel Vitorino, apresentador do livro; eu, e a Avelina Ferraz, da Papiro Editora.

A assistência.


É hoje!

⊆ domingo, junho 11, 2006 por GNM | . | ˜ 57 comentários »


E é já na próxima Sexta-feira, dia 16 pelas 21 horas, que será lançado, na Fnac do Cascais Shopping, o livro “NADA em 53 vezes”!


Podemos...

⊆ sexta-feira, junho 09, 2006 por GNM | . | ˜ 21 comentários »

Podemos morrer esta noite,
metralhados pelo silêncio cinzento,
que continuaremos vivos.

Mais que um momento,
um tempo ausente,
mais que dois corpos unidos num
só,


somos a escadaria
que vai da Lua ao Oriente
refazendo os sonhos
defeitos em pó.


Livre!

⊆ sábado, junho 03, 2006 por GNM | . | ˜ 35 comentários »

Livre!
Sou o último homem livre.
Foi com as minhas próprias mãos,
Com o meu próprio sangue,
Que dobrei as grades que me mantinham cativo.
Sou livre porque me reinventei,
E estou vivo.
Oh! Como estou vivo esta noite…
Mais vivo que a própria vida!
Bem louco aquele que ainda fica vivo.
Eu sou esse louco
Que voa cada dia mais alto
Em busca do infinito,
E de um pouco mais,
Que o infinito não me basta...
E vejo o mundo tão pequeno lá em
Baixo…
Onde não se voa
Somente se rasteja.
Seis biliões de rastejantes!
E para quê?
Nada!
Nada em 6 biliões de vezes.

Um pouco de loucura.
Como sabe bem um pouco de loucura.
Mas já não existe substância nos homens…
Os homens estão ocos!
Tão ocos que já não sabem ser loucos,
Quando ser louco é só ser humano.

Onde termina a razão começa o Homem.


E a vida dos homens é um relógio de corda.
Um longo tic-tac…
Com o paladar de uma sobremesa que já enjoaram.

A minha vida é uma tempestade.
E eu, um navegador que rema e avança,
Em busca de outros mundos que não os vossos…


Excerto

⊆ sábado, maio 27, 2006 por GNM | . | ˜ 41 comentários »

Quero afastar-me das pessoas. Vou manter a minha distância de segurança para impedir embates frontais.
Evitem-me.
Não quero falar com mais ninguém. Não quero que ninguém fale comigo! Que ninguém comente se estou gira, que ninguém fale da cor do meu cabelo, dos meus lábios rasgados. Chega de elogiarem os meus olhos.
Deixem-me.
Não quero mais sorrisos, nem simpatias, nem jogos de sedução. Quero estar sozinha. Apenas quero estar sozinha. Para sempre sozinha.
Esqueçam-me.
Não resta mais nada que possa dar a alguém… O mundo cegou dentro dos meus olhos.

GNM in Até ao Fim


Encontro-te

⊆ quinta-feira, maio 25, 2006 por GNM | . | ˜ 34 comentários »

Encontro-te!
Estás em todos os
lados:
vejo-te nas nuvens,
desenhada,
sorris-me em
fotografias,
na sombra adiada,
no gelo,
no fogo dos
dias.
És os meus gritos,
calados.
hoje, és as folhas do
jornal.

Rasgo-te!

Tranco-me
como um cofre
de cristal.
E em mim tudo se quebra.

O Amor esqueceu-se de nós.


Livro

⊆ sábado, maio 20, 2006 por GNM | . | ˜ 86 comentários »


No dia 16 de Junho, Sexta-feira, pelas 21 horas, terá lugar o lançamento do meu livro “NADA EM 53 VEZES” , na Fnac do Cascais Shopping. Quero convidar-vos a estarem presentes neste lançamento; será um prazer poder partilhar este momento com todos vós.

São também todos e cada um de vocês que aqui me lêem, que contribuem para que continue a escrever. Assim, este livro é também vosso. Obrigado.


Eu quero voar...

⊆ sábado, maio 13, 2006 por GNM | . | ˜ 48 comentários »

Eu quero voar…
voar
e só voar,
simplesmente.
Hoje,
ontem,
eternamente.
Voar como quem ama
e amar como quem voa,
e amar o céu
e amar-te a ti
e a toda a gente.

Voar sobre campos
dourados,
Rasgar nuvens
e sonhos
e mares
navegados.
Voar nas tuas
sombras,
silêncios
quebrados
E em todos os
lados.

E procurar nas
estrelas o
sabor,
nas nuvens o
calor,
a tua
cor...
(Serás azul?),


As esquinas do delírio

⊆ segunda-feira, maio 08, 2006 por GNM | . | ˜ 35 comentários »

Eu sou a força e a desagregação,
Sou o mais feio, doente, esfomeado,
Sou o mais pálido, míope, curvado,
Sou todos os deuses e a sua negação.

Dê-me fé, vendam-me uma religião,
Quero crer numa igreja, num Estado,
Eis tudo em que acredito: E=m.c2,
E o resto é cárcere, névoa, exploração.

Quem me rege é somente a natureza:
Eterna sabedoria, liberdade, pureza,
Tudo o que existe, que sorri, que voa.

Eu sou o fulgor, as palavras, a beleza,
Eu sou a escadaria sem fim e a leveza,
Eu sou o mar, o céu e a última pessoa.


Instante

⊆ sexta-feira, maio 05, 2006 por GNM | . | ˜ 19 comentários »

Esta noite
Percorrem-me as veias vagas gigantescas.
Esta noite nada é como é.
Desconheço-me.
Este ser tudo sendo nada,
Este estar entre…
Sinto o que nunca ninguém sentiu.
Ninguém sentiu!

Ninguém sentiu?
Quanta sobranceria nesses olhos,
Quanta presunção na ponta dos dedos,
Quanto pretensiosismo dentro de ti…